terça-feira, 20 de setembro de 2016

Saudade de bebê

Outro dia, conversando com uma amiga que têm filhos da idade dos meus, ou seja, passadas da "fase bebê" há alguns anos, fiquei recordando do que mais amava dessa época:

- O cheiro de bebê
- As gargalhadas
- A carinha de anjo quando dorme
- O beiço pré-choro
- O toque da pele
- A sensação do peito formigando quando o leite era sugado
- Quando dormia nas posições mais estranhas (e fofas)

Meu filho Max aos dois meses, há quase nove anos...

- As pernas gorduchas se agitando de alegria
- Quando levava o pé à boca
- A "pescaria" quando lutava para não fechar os olhos
- O bafinho de leite
- As pequenas evoluções de cada dia
- Quando começou a efetivamente se comunicar, seja nos entendendo, seja balbuciando pequenas sílabas
- Os pés fofíssimos
- Segurar um pacotinho no colo (mato a vontade no CineMaterna)

(* editado: claro que depois que postei, lembrei de outras coisas que tenho saudade - mas resolvi me conter, ou não termino nunca)

Do que não sinto saudade? Nem preciso dizer, quem é mãe vai saber.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Um avião para chamar de "nossa"

Ela é nosso avião. Assim, sem erro de concordância de gênero. E não é porque trabalhou na Embraer - isso só legitimou o trocadilho. A caçula da turma, a mais nova em idade e recém-chegada na matriz do CineMaterna, Marcela Santos embarcou no momento em que percebemos que nossa demanda de informática - no site e no sistema administrativo - é tão grande, que precisamos de uma pessoa para trabalhar exclusivamente com isso.

Se é para trabalhar no CineMaterna, por que não uma desenvolvedora que seja mãe? Sabíamos que não seria fácil: este mercado é dominado por homens e ainda buscávamos uma que entendesse de C#, com experiência em ASP.NET MVC, SQL Server e AngularJS. Não entendeu nada? Nem eu. Bastava a candidata compreender.

Fui pro mercado, mais especificamente para um grupo de mães empreendedoras chamado Maternativa. Postei sobre a minha necessidade e em alguns dias, DUAS candidatas! Encontrei não apenas uma, mas duas agulhas no palheiro! Ambas foram entrevistadas pelo nosso antigo desenvolvedor, tiveram encontros pessoais comigo e Taís Viana (nós, fundadoras do CineMaterna), fizeram testes técnicos com casos práticos e concluímos estar diante de profissionais muito competentes, dentro do perfil que buscávamos. Tomamos uma decisão nada fácil, com o coração na mão por ter que abdicar de uma delas.

Marcela é mãe da Lara, que ainda não tem um ano, e rapidamente nos mostrou que não nos arrependeríamos da escolha. Claro que não! Na entrevista em que a conhecemos pessoalmente, seus olhos brilharam e sua voz embargou quando falou do CineMaterna e sua vontade de trabalhar conosco.

Foi apresentada às demais mulheres da matriz do CineMaterna em uma reunião que temos bimestralmente, normalmente virtual, mas que seria presencial por estarmos comemorando nossos oito anos. Marcela veio com "traje de vida corporativa" (camisa, calça social e salto) e até rimos disso. Ganhou um crachá pink e na próxima vez que nos virmos, estará com roupas informais - e esperamos que muito feliz. Porque nós estamos radiantes!

Marcela, à direita, conversando com a Gláucia Colebrusco
em seu primeiro encontro na matriz do CineMaterna 
Matriz do CineMaterna em um almoço coletivo

Taís e eu, fundadoras do CineMaterna, "fazendo aniversário"

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Maternidade política

Mulher, muito jovem e articulada no Congresso Nacional, Manuela D'Ávila chamou atenção do Brasil há 10 anos. Iniciou sua carreira política no movimento estudantil, foi vereadora em Porto Alegre, deputada federal por dois mandatos, concorreu à prefeitura gaúcha e atualmente é deputada estadual em sua cidade natal. E há quase um ano, é mãe de Laura.

Manuela D'Ávila e sua filha Laura
Reprodução Instagram
@leisdelaura
Há alguns meses recebi reprodução de um post de Facebook da Manuela, com uma foto sua no CineMaterna. Laura ainda era bem pequena, mãe, filha e enteado estavam "estreando" no cinema. Sabia que Manuela tinha tido uma filha, mas não estava acompanhando sua trajetória, nem como deputada, nem como mãe. Naquele dia, fui pesquisar um pouco mais e comecei a seguir o Instagram em que Manuela posta fotos e reflexões sobre sua maternidade. Como figura pública, seus pensamentos têm repercussão importante.

Observo atentamente sua forma de levar a maternidade para o cenário político. Laura a acompanha em vários compromissos, mama quando necessita, e desta forma, Manuela foi mostrando uma maternagem que inclui a amamentação em livre demanda e exclusiva até os seis meses, o babywearing, o quarto montessoriano, a introdução de alimentos e descobertas com o Baby Led Weaning (BLW). Com seus posts foi abordando outras campanhas: doula e parto, a importância da primeira infância, doação de leite humano, empreendedorismo materno. Assuntos, descobertas, sentimentos e conquistas de uma mulher que virou mãe e que concilia a maternidade com sua carreira.

Recentemente, uma foto sua trabalhando e amamentando rodou o mundo.

Reprodução Instagram
@leisdelaura

Nós do CineMaterna AMAMOS esta atitude. Queremos mais mulheres na política para mudar o mundo! Independente de partido político, mais amor e mais empatia, por favor.

Obs: quando avistei Manuela no CineMaterna na semana passada em Porto Alegre, não resisti, me apresentei e pedi um registro. Era para ilustrar este texto, que vinha sendo elaborado há meses e finalmente, pôde ser escrito.

A partir da esquerda: Guilherme (enteado), Duca Leindecker (marido),
Manuela D'Ávila com sua filha Laura e eu

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Oito, prosperidade!

Oito anos de CineMaterna hoje, três de agosto. E será comemorado assim:

_ Carol Troque fará as artes de banner e divulgações diversas. E ainda vai checar quais materiais precisam ser repostos nas sessões, empacotar e despachar.

_ Gisele Silva estará na internet buscando conteúdo para a página do CineMaterna, respondendo dúvidas, críticas e acolhendo sugestões do público em nosso Facebook e e-mail.

_ Gláucia Colebrusco estará em uma sessão, conversando com as voluntárias, ajudando-as no que for necessário, recebendo as mães e batendo muito papo.

_ Juliana Freire estará fazendo pagamento a algum fornecedor ou voluntária. Ou emitindo notas fiscais e fazendo cobrança. E principalmente, controlando os gastos.

_ Karina Campo estará em ligação com algum dos 80 shoppings patrocinadores regionais. Ou se dedicando a um e-mail explicativo. E ainda encontrará tempo para verificar a comunicação dos shoppings sobre o CineMaterna.

_ Kika Cardoso, estará revisando contratos e cartas-acordo que envolvem o CineMaterna, sempre minuciosamente.

_ Ligia Ximenes irá conferir as enquetes feitas pelo Edu Fernandes, "nosso" crítico de cinema. Vai produzir o texto do e-mail marketing semanal com a programação da próxima cine-semana. E ainda cuidará do site do CineMaterna.

_ Maria Rita Barbi estará negociando a forma mais bacana de deixar os patrocinadores satisfeitos, criando propostas inusitadas, garantindo que as ações sejam implementadas.

_ Tatiana Storni estará fazendo listas de conferência: de calendário de sessões, de materiais em estoque, de chek-lists de eventos. Fará o pente fino para que tudo aconteça como planejado.

Taís Viana, uma das fundadoras desta ideia maluca de tirar as mães recém-nascidas de casa, estará pensando no futuro do CineMaterna, na sustentação econômica. Já eu, Irene Nagashima, a outra doida, estarei conferindo se as sessões estão acontecendo com o carinho que almejamos e corrigindo falhas na rota.

Sem demagogia, comemoramos trabalhando para um mundo mais compreensivo e acolhedor para as mães recém-nascidas. Acreditamos, de verdade, que mães felizes geram um mundo melhor através de seus filhos.

MATRIZ do CineMaterna em foto recente
Em pé, Karina
Sentada a partir da esquerda, Tatiana, Irene, Gláucia, Taís, Ligia e Carol
À frente, Gisele, Juliana (de óculos), Maria Rita e Kika

terça-feira, 26 de julho de 2016

É a mãe!

CineMaterna é só para mães? Por que não pensam nos homens? Pais também cuidam dos bebês!

CineMaterna não é uma experiência exclusiva de mulheres. Queremos que pais, avós, madrinhas e  amigos venham também. Todos são bem-vindos e acolhidos. Acreditamos na força agregadora dos bebês, que estreita os laços, que traz a família para perto.


Entendemos que a mulher que se torna mãe é, pelo menos nos primeiros meses, a protagonista da mudança familiar junto com o bebê. É ela quem gesta, é bombardeada por hormônios e sofre uma intensa transformação física e e emocional.

Toda grávida passa a ser desmemoriada. Dá à luz e passa os meses seguintes se recuperando da experiência mais profunda que uma pessoa pode passar. A mulher que vira mãe passa a ter outro corpo, que muitas vezes não voltará a ser o mesmo - e continua desmemoriada.

Seus seios, que já cresceram na gestação, ficam enormes (para a felicidade das "despeitadas"), jorram leite e passam a ter um bebê acoplado. Por horas a fio.

Para algumas, hemorróidas são heranças da gestação e do trabalho de parto. Ou uma azia antes nunca experimentada. E vasinhos rompidos nas pernas. Ah, claro, as estrias. Muitas. E mais celulite. Sem falar na pança. Assim mesmo: não é barriga, é pança.

Mães se solidarizam nas dores na coluna, nas tendinites que chegam com a amamentação, nos cabelos que caem aos tufos a cada banho. Mulheres que se encontram sem nenhum desejo sexual no pós-parto se apoiam. A vagina fica estranha, há uma tensão na primeira relação depois do parto. Sem contar a confusão sobre a "propriedade" dos seios.

Noites mal dormidas, sentimentos confusos sobre um amor arrebatador que às vezes some, olhares que parecem recriminar mães de bebês chorosos e uma angústia que se transforma em vontade de chorar tornam ainda mais intensos esses primeiros meses.

Desejos simples passam a ser almejados como presentes de Natal e aniversário juntos. Maquiar-se, produzir-se para sair, fazer as unhas, arrumar o cabelo. Estar com uma roupa bonita, sem manchas de golfadas. Tomar banho sem a tensão de que o bebê pode começar a chorar a qualquer momento. Dormir sem a tensão de que o bebê pode começar a chorar a qualquer momento. Comer sem a tensão de que o bebê pode começar a chorar a qualquer momento.

Claro que tem o lado do amor infinito que parece que vai explodir e do orgulho de ser responsável por um pequeno ser, da gestação a sabe-se-lá-até-quando.

Se você é mãe recém-nascida entende o que estou descrevendo e provavelmente tem itens a acrescentar à lista. E é por isso que ela merece toda a nossa atenção, cuidado e carinho.


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Buááááááá, eu queria tanto!

Tem Procurando Dory, Tartarugas Ninja, vai estrear até A Era do Gelo (O Big Bang)!!! Como assim não vai ter filme infantil em julho no CineMaterna? 

Decidimos isso há alguns anos, depois de, mais de uma vez, chegarmos ao cinema uma hora antes da sessão e nos depararmos com uma enorme fila de famílias com crianças... que lotaram a sala antes das mães com bebês chegarem. Não, não há como reservar a sala para o CineMaterna, infelizmente.

As mães viram o Nemo e querem saber da Dory! Entendemos. Mas também sabemos como é trabalhoso se preparar com o aparato megabolsa, carrinho e bebê, e eventualmente, um irmão ou uma irmã, chegar ao cinema, deparar-se com uma sala lotada e não poder assistir ao filme prometido. É frustrante, cansativo e sim, dá raiva.

As animações infantis mais assistidas se mantêm em cartaz passadas as férias escolares e aí, colocaremos em enquete.

Multidão não combina com mães e bebês, tanto que algumas redes de cinema pedem suspensão do CineMaterna em janeiro e julho. Se você perceber que um cinema não aparece com sessão CineMaterna neste mês, é isso.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Diversão de norte a sul

Já falei várias vezes que a gente rala muito, mas se diverte também. Também já enfatizei que só existimos graças às mais de 300 voluntárias que fazem parte da comissão pink de boas-vindas. São elas que representam o carinho e o cuidado às mães recém-nascidas, que são a base do relacionamento do CineMaterna. Mães, mulheres, voluntárias e pinks, wanna have fun, certo?

Em Fortaleza (CE)
Delizi chegou assim à sessão no Carnaval
E levou adereços e animação para todas 
Cariocaxxxx divertidaxxxx
Campos dos Goytacazes (RJ) entrou na onda
Em Santo André (SP) as fotógrafas (de camiseta preta) também se divertem!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Mães, mulheres, profissionais: tem uma ordem?

Se tem algo que não gosto de ler são livros de administração. Nada contra, só não são meu tipo de leitura. Gosto de biografias e romances. Para mim, o momento de leitura é uma viagem, um descanso.

[Este não é um post patrocinado.]

A primeira vez que prestei atenção neste livro foi a partir de uma notícia trágica. Sheryl Sandberg perdeu seu marido com menos de 50 anos de forma repentina. Ela escreveu uma tocante carta, 30 dias após seu falecimento e foi a partir desta dedicatória que cheguei em seu livro, Faça Acontecer (2013, Companhia das Letras).

Li o livro só agora, meses depois, após superar meu preconceito a títulos de negócios. Meu exemplar (um e-book) foi inteiro sublinhado. Os trechos que me tocaram se baseiam na identidade com o objeto do livro: sou mulher e mãe, dirijo uma pequena iniciativa que atinge mulheres e mães, muitas questionando sua carreira, repensando o que é valor em sua vida pós-maternidade.

Um dos créditos de Sandberg é que suas ponderações são baseadas em pesquisas e estatísticas, não apenas americanas - a versão brasileira inclui números locais.

Como executiva, seus exemplos pessoais são focados em carreira empresarial, mas achei bastante interessante tanto para mulheres que optam por continuar sua carreira anterior à maternidade, quanto para as que fizeram ou pretendem fazer uma mudança de rumo. Logo no início do livro anuncia que "é difícil conciliar maternidade e carreira, mas não sinto culpa por sempre ter me dedicado tanto ao trabalho. Acredito que as mulheres devam ter liberdade de escolher e isso não significa que elas serão melhores ou piores mães" (posição 63). Esta discussão soa bastante familiar, não?

Inicia o livro com uma ponderação importante, que pregamos tanto, mas que nem sempre vemos sendo praticado, em especial, nas discussões nas mídias sociais:
... não acredito que exista uma definição única de sucesso ou felicidade. Nem todas as mulheres querem uma carreira. Nem todas as mulheres querem filhos. Nem todas as mulheres querem as duas coisas. (...) Muita gente não se interessa em conquistar poder, não por falta de ambição, mas porque está levando a vida do jeito que quer. Algumas das contribuições mais importantes para o nosso mundo se deram ao considerar cada pessoa individualmente. Cada uma de nós precisa traçar seu próprio curso e definir os objetivos que condizem com sua vida, seus sonhos e valores. (posição 220)
Um dos capítulos é intitulado "O Mito de Fazer Tudo". Não requer grandes explicações, certo? É exatamente isso que aborda: que não, não podemos ter ou fazer tudo. Ser o que somos nos coloca diante de escolhas. Se já é uma questão importante antes dos filhos, depois... é, piora.
Todos fazemos escolhas constantes entre trabalho e família, entre se exercitar e descansar, entre conceder tempo aos outros e tirar tempo para nós. Ter filhos significa fazer concessões, ajustes e sacrifícios diários. (posição 2127)
Para as mães, a administração do sentimento de culpa pode ser tão importante quanto a administração do tempo. (posição 2404)
Eu não tive licença-maternidade no meu segundo filho. Nem um dia sequer. Fiquei mais lenta nas respostas por duas semanas, mas não cheguei a desligar. Aquilo não me incomodou e não é motivo de orgulho ou culpa. Foi um rumo natural. Trabalhava de casa, estava com marido e filhos ao lado, tinha apoio doméstico. E dirigia uma iniciativa cujo foco era exatamente eu, uma mãe recém-nascida, de dois filhos, no caso.

No CineMaterna acreditamos que estar próximo dos filhos é um valor, trabalhar em casa tem seus desafios - todas estamos em esquema de home office. Ah, o tão sonhado equilíbrio!
Se, por um lado, a tecnologia às vezes nos libera da presença física no escritório, por outro também estende a jornada. Uma pesquisa de 2012 sobre o mercado de trabalho mostrou que 80% dos entrevistados continuavam a trabalhar depois de sair do escritório, 38% viam e-mails durante o jantar e 69% não iam para a cama sem verificar suas caixas de entrada. (posição 2305)
Sandberg aponta muitas diferenças nos sentimentos e visões da sociedade entre homens e mulheres frente ao sucesso, ambição e competência. De uma forma geral, existe, sim, desigualdade entre os gêneros, aproximá-los é importante, mas ainda há muitas barreiras culturais.
Quando um casal anuncia que vai ter um filho, todos dizem “Parabéns!” ao homem e à mulher “Parabéns! O que você vai fazer com o trabalho?”. O pressuposto amplamente adotado é que criar o filho do casal é responsabilidade dela. Em mais de trinta anos, essa ideia não mudou quase nada. Um estudo da turma de Princeton de 1975 mostrou que 54% das mulheres previam um conflito entre o trabalho e a família, contra 26% dos homens. O mesmo estudo da turma de Princeton de 2006 mostrou que 62% das mulheres previam esse conflito, contra apenas 33% dos homens. (Posição 1726)
Nos Estados Unidos, segundo as análises mais recentes, quando marido e mulher estão empregados em tempo integral, a mãe cuida 40% mais dos filhos e 30% mais da casa do que o pai. (...) No Brasil, as mulheres cuidam quatro vezes mais dos filhos e do serviço doméstico que os homens. Assim, embora os homens estejam assumindo mais responsabilidades domésticas, esse avanço tem sido muito vagaroso e ainda estamos longe de uma condição de paridade. (Posição 1838)
Como se não bastasse o abismo entre gêneros, admito, como mulher e mãe, que ter um marido participativo como o meu ao lado não é tão trivial.
Assim como as mulheres têm de ser mais reconhecidas no trabalho, os homens têm de ser mais reconhecidos em casa. Tenho visto muitas mulheres que, sem perceber, desestimulam o marido na hora de fazer sua parte, porque são controladoras ou críticas demais. Os cientistas sociais chamam isso de “fiscalização materna”, um nome bonito para “Aimeudeus, não é assim que se faz! Sai daí e me deixa fazer!”. (Posição 1879)
Criação dos filhos é provavelmente a fonte de maior atrito em meu relacionamento. É um aprendizado diário e constante, é entender que somos diferentes, que enxergamos o mundo de ângulos, às vezes, dissonantes. Admitir que frequentemente não existe melhor ou pior. É um constante ensinar e aprender como casal. É dedicação, paciência, exercício e, acima de tudo, amor. 

quarta-feira, 25 de maio de 2016

São 100 cinemas e saio em férias!

Saio em férias amanhã. Serão 12 dias de folga que só são possíveis porque somos uma equipe de dez pessoas e juntas, damos conta (lindamente) das 100 sessões por mês em quase 50 cidades pelo Brasil afora.

Então meu post é em homenagem a estas mulheres, que, cada qual à sua maneira, cuidam para que tudo funcione nos cinemas através das 300 voluntárias pinks.

À frente, a partir da esquerda, Gisele Silva, Irene Nagashima, Taís Viana
e Carol Troque. Atrás, Juliana Freire (de óculos), Ligia Ximenes,
Maria Rita Barbi, Karina Campo, Gláucia Colebrusco e Tatiana Storni
Tatiana "puxando um fio"
Juliana, gêmea de alma da Tati, também no fio, com Ligia observando
Matriz e voluntárias se organizando para o lançamento do centésimo cinema
com CineMaterna 
Equipe que trabalhou no lançamento
CEM cinemas!
Devidamente comemorados
A gente trabalha agachada e ainda assim,
dá risada
Aproveitando o corrimão para manter a forma
(e fazer pose)
Gangue pink esperando no corredor
Taís de olho em tudo
Juliana sendo flagrada
Gisele olhando desconfiada
Minha cara de "sério que você vai tirar foto de mim?"
Não, não gosto de ser fotografada, dá pra parar?
O papo rola solto...
... e parece bem interessante
Momento careta
Esta é para quem duvida que é possível trabalhar e se divertir!

(mais fotos deste evento aqui: bit.ly/cnm_blvtatuape)

terça-feira, 17 de maio de 2016

Tá tudo vinculado

Sabe o que vejo no CineMaterna? Carinho. Cuidado. Amor. Ternura. Leveza. Afeto. Alegria.

Em menor proporção, também tem tensão, porque toda maternidade tem seus momentos negros, de sombra. Mas, ufa!, frequentemente vejo a preocupação se dissipar com um sorriso, um olhar ou um gesto nosso, que estamos lá para receber as famílias.

Sem modéstia, fazemos diferença no puerpério. Me enternece "ver" o vínculo acontecer nos olhares ternos trocados entre o bebê e suas referências, sejam a mãe, o pai, irmãos, avós ou dindas, nos beijos, abraços e brincadeiras, nas pequenas mãos que buscam a mãe durante a amamentação, no acolhimento após o choro.

O mais fascinante é quebrar a lei da física de estar em dois lugares: ao mesmo tempo em que assistimos a tudo de camarote, fazemos parte deste momento tão, tão especial e marcante da vida.

video

#comoeufaçoadiferença para #ocomeçodavida

terça-feira, 3 de maio de 2016

Partida

Estava conosco desde o início do CineMaterna, da época em que éramos apenas algumas mães que iam ao cinema com seus bebês. Como já era um amigo pessoal, quando fomos barradas no cinema uma certa tarde, pedi a ele para intervir junto à rede de cinemas.

Dali pra frente, seguimos juntos.

Começou dando suas opiniões sobre os filmes, da perspectiva de uma mulher sensível, recém-parida. Acertamos muitas vezes, erramos outras. Apresentou-me a algumas distribuidoras de filmes para que eu pudesse ter acesso aos título antes de eles estrearem, as chamadas cabines. Até que veio trabalhar oficialmente no CineMaterna como colaborador, elaborando semanalmente as enquetes.

O ruivo que só andava de bermuda e camiseta, mesmo sob frio intenso, Christian Petermann era o nosso crítico de cinema. O orgulho era mútuo.

Mas aí veio a vida, com seus duros golpes.

Com imensa tristeza comunicamos o falecimento, nesta terça-feira, 3/5, do crítico de cinema Christian Petermann. Parceiro afetivo do CineMaterna desde a sua fundação, em 2008, Christian decidia que títulos podiam entrar em enquete. Sim, as enquetes que ajudam a definir a programação do CineMaterna na sua cidade. Amanhã, quarta-feira, era dia de trabalharmos juntxs. Vai ser uma manhã esquisita. Silenciosa. Doída. Christian, siga em paz. Sentiremos saudades. E, principalmente, gratidão pela tua companhia. 

Assim, de repente. Deixa um enorme vazio no coração.

Posto aqui uma foto tirada há uns 15 anos, em que, ironicamente, ele veste calça comprida. Christian tinha paixão por esta minha cachorra (uma bola de pelos preta, chow chow), que se chamava Gong Li, uma atriz de cinema, chinesa, famosa nos anos 90. A cachorra, que não era afeita a grandes gestos de carinho, ficava extremamente feliz na presença dele e o lambia, lambia muito.

Ah, Christian, fico tranquila porque sei você terá uma bela companhia no céu.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

As novas descobertas da vida

Depois que o CineMaterna começou, descobri o prazer de fotografar. Já fotografava antes, mas de forma caseira, sem grandes refinamentos. Hoje continuo amadora, mas com grandes avanços. Evoluí em técnica, no enquadramento e em equipamentos. Fotografo em condições adversas, no cinema escuro, em baixa velocidade, mães e bebês muitas vezes em movimento. Me especializei. E sinto um enorme prazer no desafio das diversas etapas: fotografar, tratar as imagens e ver o resultado final. Encontrar formas de melhorar, testar novos recursos, errar e, finalmente, acertar. Meus álbuns ostento com orgulho aqui.

Euzinha, em ação, fotografando
Foto: Simone Novato

Mais recentemente mergulhei em um mundo totalmente desconhecido. Depois de "velha", fiz minha primeira aula de balé. A-mei. Pouco mais de um ano depois, mesmo com muitas faltas por causa das viagens, já saí do nível zero. Cada movimento dominado é uma alegria. Constatar o progresso, o aprendizado, ter o corpo desafiado a fazer movimentos antes desconhecidos, com uma graça que não fazia parte de meu repertório, faz um bem incrível pra alma.

Depois que somos mães, tendemos a nos esquecer e paramos de buscar novos caminhos e descobrir talentos escondidos. Queremos que os filhos explorem, criem, aprendam, mas nem sempre nos lançamos na mesma jornada de conquistas.

Às vezes me pego sorrindo sozinha quando estou trabalhando nas fotos ou lembrando da aula de balé. Sorrio porque sinto uma onda de euforia, alegria, prazer, tudo junto. São atividades que me deixam feliz, me tranquilizam e me fazem querer mais. Conhece esta sensação?

Aliás, sinto muito, não tenho foto do meu lado bailarina, apesar das moças da matriz estarem loucas pra conhecer meu plié. :P